Sociedade Brasileira da Qualidade de Energia Elétrica é criada durante SNPTEE

Entidade pretende trazer para o setor o debate sobre a qualidade da eletricidade, com espaço para as questões técnicas e econômicas

Fábio Couto, da Agência CanalEnergia, de Curitiba (PR), PeD
18/10/2005

Com o objetivo de trazer para o setor o debate sobre a qualidade da energia elétrica, sensibilizando principalmente fabricantes e consumidores para os problemas relativos ao tema, foi criada na última segunda-feira, 17 de outubro, no XVIII Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica, em Curitiba (PR), a Sociedade Brasileira de Qualidade em Energia Elétrica. Segundo o presidente da recém-criada entidade, José Policarpo Abreu, dois pontos concentrarão as atenções: as questões técnicas, como harmônicos e desequilíbrios de tensão, e as questões econômicas, com destaque para o custo das empresas com a falta da qualidade.

A sociedade será formada por um presidente, um vice-presidente, dois diretores e um secretário-executivo, além do conselho de administração, cuja meta é ter 12 membros. De acordo com Policarpo, no próximo mês, a sociedade pretende estar registrada e com o estatuto formalizado. O especialista contou ainda que a entidade já nasceu com um perfil mesclado, reunindo pessoas ligadas ao meio acadêmico, às empresas de energia, a órgãos do governo, como o Operador Nacional do Sistema Elétrico, entre outros. A sociedade, ressaltou, foi resultado da realização do Seminário Nacional da Qualidade de Energia Elétrica, que ocorre sempre nos anos ímpares. O último ocorreu em agosto em Belém do Pará, e em 2007 está prevista a realização o evento, em São Paulo, na Universidade de São Paulo.

Policarpo, que também é professor-titular do Instituto de Engenharia Elétrica da Escola Federal de Engenharia de Itajubá, destacou que um relatório do Instituto de Pesquisa em Energia Elétrica dos Estados Unidos, de 2001, indicava que a perda financeira anual causada por problemas relacionados à falta de qualidade de energia elétrica, era de US$ 24 bilhões, sem considerar as perdas com a interrupção no fornecimento. Caso este fator seja considerado, o valor salta para US$ 120 bilhões.

No Brasil, destacou, o valor deve estar situado entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões. Policarpo realizou uma avaliação, também em 2001, na qual comparava o Produto Interno Bruto e o tamanho do sistema elétrico dos Estados Unidos com os mesmos dados do Brasil.

Segundo o especialista, o alvo da sociedade é o setor industrial, altamente sensível aos fenômenos que podem resultar em prejuízos ao maquinário, como o afundamento da tensão, que ocorre em décimos de segundo, mas causa paralisação da produção. “No caso da indústria de plásticos, a perda do sinal causa a solidificação do plástico nos bicos injetores. Para recuperar a máquina, a empresa demanda de cinco a seis horas”, explicou.

Indústrias sensíveis à variação do sinal, como a de chips e placas de circuito eletrônico também estão no rol de vítimas potenciais da falta da qualidade. O professor acredita que a qualidade da energia será um fator a mais na decisão de grandes consumidores, que pensam em migrar para o mercado livre.

Uma das metas da sociedade, disse, é a criação do Programa Brasileiro da Qualidade da Energia – ProQEE – nos moldes do Procel, no qual seria aplicado um selo de conformidade em equipamentos. O selo, destacou, informaria a eventuais compradores a respeito da sensibilidade a afundamento de tensão e harmônicos, entre outros fenômenos.




Todos os direitos reservados - SBQEE-2013